
Revisão de literatura · Atualizado em agosto de 2026
Coorte pareada · 15 anos · International Orthopaedics 2026
Medula óssea no quadril: 16,1% contra 40,1% de próteses em quinze anos
Um estudo de coorte pareada acompanhou 434 quadris por até quinze anos e comparou a injeção intraóssea de concentrado de medula óssea com o cuidado conservador — e revelou um achado incômodo para a prática: a dose de células mudou o desfecho.
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Por que este estudo importa
Depois de uma prótese total de quadril, o lado oposto costuma se deteriorar: até 78% dos pacientes já mostram artrose no outro quadril e entre 22% e 54% acabam operando também esse lado. Isso cria uma janela incomum — um quadril ainda não operado, com evolução relativamente previsível.
Em pacientes operados de um lado entre 2000 e 2010, metade recebeu — no mesmo ato anestésico — uma injeção intraóssea de concentrado de medula óssea (BMC) no quadril oposto. A outra metade seguiu com tratamento conservador, pareada por etiologia, gravidade (Kellgren-Lawrence), idade e sexo.
O procedimento
Foram aspirados cerca de 50 mL de medula de cada crista ilíaca (100 mL no total), em pequenas alíquotas, para maximizar as células e reduzir diluição. Após centrifugação, cerca de 20 mL do concentrado foram injetados na cabeça do fêmur por uma trefina de 4 mm, sob fluoroscopia. A recuperação envolveu ~10 dias de apoio protegido, sem fisioterapia formal obrigatória.
Resultado principal: menos próteses
O achado central: a dose de células
Dentro do grupo tratado, doses maiores de células (medidas por UFC-F) associaram-se a muito menos próteses. No tercil de dose mais alta, apenas 1,4% converteram para cirurgia em 15 anos; no tercil mais baixo, 38,8%. Nos dois tercis superiores, nenhum paciente operou por pelo menos seis anos.
| Dose | Faixa | Converteram em 15 anos |
|---|---|---|
| Baixa | < 94 mil | 26/67 · 38,8% |
| Intermediária | 94–115 mil | 8/80 · 10,0% |
| Alta | > 115 mil | 1/70 · 1,4% |
Conclusão
Nesta coorte, o concentrado de medula óssea intraósseo retardou de forma expressiva a chegada à prótese de quadril, com benefício maior quando a dose de células foi mais alta e a artrose ainda não estava avançada — e sem eventos adversos observados.